Conexões lentas podem levar a demorar um pouco para começar a tocar a música.
Quando chego num bochincho de vereda eu me apincho
Me boleio igual capincho pra o lado da sirigaita
Eu não sou dono do mundo mas penso por um segundo
E já vou cortando quando escuto um som de gaita
(Sou bem campeiro e tenho estilo missioneiro
Pois eu gosto do entreveiro pra dançar no meu rincão
Saibam as prendas que eu sou bom domador
Dou pealos de amor e ganho seu coração)
Quando encilho meu tostado saio troteando de lado
Porque sou um taura afamado e conheço desta lida
Por esse Rio Grande a fora já cortei potro de espora
Se ainda não for minha hora domo muito nesta vida
Quando vou parar rodeio puxo o pingo e boto o arreio
Porque vou com bolso cheio e nada vai me parar
Domo potranca aporreada e chinoca encabulada
Quero arranjar namorada pra no meu rancho pousar
Nasci campeiro e me criei no galpão
Junto ao fogo de chão
Sorvendo um mate cedito
Tudo que traço tá nas rodilhas do laço
Isto é um pouco do que faço
Desde os tempos de piazito.
(Se a lida é dura dou um jeito de amansar
Se até redomão ensino e consigo aconselhar
Não me preocupo com potro que corcoveia
Sovéu, mango nas oreia são maneiras de domar)
Cresci ginete por esses pagos a fora
Cortando potros de esporas
Cumprindo minha vocação
Faço da lida um meio de ganhar a vida
E aporreado que duvida
De vereda vai pro chão.
Sempre que posso faço da buena lida
Essência de pampa e vida
Na qual mostro meu valor
São artifÃcios e andejo de peão de estância
E hoje tenho como herança
A sina de domador.
Este som gaúcho que é pura magia
Espalha alegria por onde passar
É a voz da cordeona, campeiro instrumento
Guapo chamamento pra o povo dançar
Renova a saudade de quem foi embora
Pelo mundo afora querendo voltar
Retrata a querência e o seu universo
Emponchando versos pra o taura cantar
(Tem alma de gaita nossa tradição
Tem cheiro de chão, nosso timbre campeiro
Em festa povoeira ou baile pra fora
é marca sonora do sul brasileiro)
Essa querendona, chorona ao falar
Que cruzou o mar ajojada num gringo
Irmana as pessoas, conquista e encanta
Comanda bailanta e alegra domingo
Onde tiver gaita tá feita a festança
Tristeza não dança e logo se muda
Afirma o namoro, redobra a alegria
E é garantia de festa graúda.
Eu nunca vi fandango bom sem vanera
Essa dança que entrevera a gauchada no salão
Ela é dos tempos dos bailes de chão batido
Nascida a toque de gaita, de pandeiro e de violão.
(Marca gaúcha, esse compasso
Que eu não me canso de dançar a noite inteira
Moda campeira dos bailes de rancho
é o nosso tranco e leva o nome de vanera)
Fica bonito ver nosso povo dançaando
Essa moda dos fandangos da fronteira ao litoral
A gaita velha vai roncando a noite inteira
Fazendo subir a poeira num jeitão tradicional.
Remoendo velhas lembranças proseio com minha alma
Um palheirito me acalma parceiro de tantas andanças
Amadrinhador da esperança de um tempo que já se foi
Pealando um berro de boi que eu meu peito descansa
Um retrato desgastado traz recuerdos para mim
Parece que ouço os clarins repontando os aporreados
Reculutando do passado um florão de tropilha
Pra se unir aos farroupilhas em colunas lado a lado.
(Que saudade das tropeadas agarradito em um basto
Sentindo cheiro de pasto em longas noites de maio
Alço a perna e então caio lembrando das gineteadas
Em rondas nas madrugadas enforquilhado no baio)
Hoje já sem serventia com as melenas a entordilhar
Queria era poder voltar às lidas do dia-a-dia
Quando o solzito sorria secando o orvalho das folhas
Num pingo da minha escolha ao trotezito saÃa
Um gaúcho não se entrega nem no dia de sua morte
Sua semente é mais forte reponta junto às macegas
Sua alma não sossega feito ave de rapina
Vagueia sobre as campinas rondando o que não se enxerga.
Tapera velha da beira da estrada
Não precisa falar nada
Somente escuta o que eu digo
Sou peão passageiro
Cansado da tropeada
Em ti faço parada
Outra vez é meu abrigo
Tapera velha teu telhado judiado
De santa-fé ressecado
Contando tua dura história
Já passou por tudo
Neve, ventos e geada
Você resistiu calada
Os intempéries na memória
(Tapera velha tuas portas marcadas
E as janelas quebradas
Das peleias farroupilhas
Mas sempre forte
Continua imponente
Mostrando a nossa gente
Que abrigará outras tropilhas)
Tapera velha nos campos a tua volta
Já houve muitas revoltas
Gado, domas e festança
Hoje quase isolada
A solidão é tua parceira
A pior das companheiras
Só te restam as lembranças
Tapera velha de ti eu me despeço
Só uma coisa eu te peço
Esteja aqui quando eu voltar
Te levo comigo
Neste solitário andejo
De coração eu desejo
Noutra tropeada eu te encontrar.
Toca cavalo vamo embora
Que eu to bem louco de saudade
Chegou a hora de voltar para querência
Distante dela é triste barbaridade
/Num upa-upa campo afora
Bamo simbora bem faceiro
O coração vai repontando ansiedades
Batendo forte pra chegar bem mais ligeiro/.
(Pode esperar querência velha
Hoje resolvi voltar
Por te amar tanto minha terra
To chegando pra ficar)
Final de tarde estou chegando
Com meu parceiro de andanças
Levo nas rédeas toda força da experiência
Na minha mala de garupa só lembranças
Hoje vou lá pro fandango e fandangueiro eu sou
Quero dançar com a morena linda meu amor
Marquei encontro com ela e é pra lá que eu vou
A noite vai ser pequena e hoje eu tô que tô
(Vou para ficar bem mais perto do meu bem
E morena linda te fazer feliz também
Quero teu amor menina do meu coração
Vem dançar comigo quero ser o seu peão)
Passo a semana bem louco pra ver minha flor
Sou peão apaixonado e muito sonhador
Viver sozinho na estância só aumenta a minha dor
Quero casar com essa moça e construir um rancho de amor
Já faz dias que parti
Não agüento a solidão
E a saudade no peito apertando
Vou seguir o pôr-do-sol
E ao meu rancho retornar
Pois lá tem um grande amor me esperando.
/Ela vem me encontrar
Com um sorriso encantador
E uma flor do campo eu levo pra ela
Nada importa pra nós dois
Tudo fica pra depois
Já não agüento mais tanta espera/
(E basta um olhar pra gente se entender
Ela sabe mora em meu coração
No rancho é só paixão
A solidão se foi
As estrelas, o luar e nós dois)
Criado guaxo cresci no meio da farra
Ser bagaceira sempre foi minha vocação
Já corri muito por mexer com china alheia
Já levei tapa na oreia e uns pranchaços de facão.
Culpa da canha que sempre me foi parceira
Essa porquera já não larga mais de mim
Sempre assanhada se atira no meu copo
Então com ela me atraco e acabo ficando assim.
(É num cafungo gurizada num balanço meio torto)
Eu vou dançando e vou bebendo sem parar
Eu tô borracho seu gaiteiro, tô bem loco no entreveiro
E vou levar uma semana pra me achar)
Uns talagaço e a tontura me governa
Torto das perna me equilibro no salão
Ensaio uns passos de vanera na rancheira
E no bugio faço uns agito de magrão.
Pra que dançar com o chinaredo no fandango
Se com a garrafa a sala arrodeia pra mim
É bolicheiro! leva uns pila e dá-lhe canha
Que o baile ta começando e eu vou beber até o fim.
De a cavalo que foram cravados
Os marcos em nossas fronteiras
Adagas, garruchas certeiras
Confrontos sangrentos por este chão
Homens distintos em perigo
Mas com instintos para pelear
Levando consigo a nossa bandeira
Em sua defesa sempre a ostentar
(Bendito Rio Grande alçado por guerras
Foi nessa terra marcada por lanças
Batalhas ditadas e vindas de herança
De heróis farroupilhas que eternizou
Bravos guerreiros e uma história
De muitas glórias e sofrimentos
Brados de ordem e telurismo
Do próprio ofÃcio que a pampa criou)
Assim demarcaram nossas divisas
Com punho firme aos ideais
Comando e bravura por mananciais
E um destino que a muitos restou
Tauras destemidos em gritos de amo
Também desesperos por muitas razões
Em tempos de outrora o sangue jorrando
De um romper de espadas das revoluções
Levam a vida sobre arreios e cavalos
Pulando cedo sem temer os dias longos
Açoitados pela lida e pelo tempo
São os tropeiros que não receiam assombros
Seguem seus destinos e se vão estrada a fora
Fazendo do ofÃcio o dia-a-dia sobre lombos
(E lá se vai mais uma tropa ao rumo certo
Rondada de perto para não dar entreveiros
Na poeira da estrada, chuva, frio e mormaço
Enfrentando o cansaço lá se vão estes tropeiros)
Pra este serviço é preciso ter coragem
Uma boa encillha e o melhor pingo a confiar
Para não ser um tropeiro desgarrado
Nunca se deixa uma tropa estourar
Sempre em alerta com seu laço em prontidão
Quem escolheu tropeadas tem por sina andejar
Tô viciado em vanera hoje não tem brincadeira
Eu vim para dançar
Quero fazer umas graça e uns charme pra morenaça
Pra depois nós se atracar
Dá-lhe cordeona gaiteiro mete embalo no entreveiro
Incendeia o salão
Num baile de redomona foi a vez da gauchona
Me fazê frouxá o garrão
(Sou fandangueiro e meto ficha no farrancho
Surungo de rancho tudo pode acontecer
De chão batido, à luz de candeeiro
Gaita, violão e pandeiro até o dia amanhecer)
Me apronto pras bailantas vou entiar umas percantas
Ah! vai ser aquele estouro
Mudei o rumo da prosa ao ver a morena rosa
No baile das negra touro
Já me fez perder a linha quando vi a mariquinha
Naquele seu vai e vem
A Mariana com seu jeito já foi metendo respeito
Cá Candoca me botei
Tenho instinto candongueiro pra farrear eu sou parceiro
To com fama de medonho
Vou bailar de cola atada lá no baile de ramada
E bate coxa no totonho
A Doralice estava vindo dona de um sorriso lindo
Dedicada pro amor
Fui chegando pelas beira pra fazer rodar morena
Na bailanta do Tio Flor.
Um piazito criado em estância
Ganhou de herança uma gaita afamada
Se foi ao mundo pra ganhar a vida
Tocando cordeona em bolicho de estrada
Por esses pagos tocando de graça
Tragos de cachaça ou qualquer trocado
Puxando fole ficou falado
Formando entrevero pelo povoado
(A gaita velha levanta poeira
No xote e rancheira, bugio, vanerão
O fole véio pior que peneira
É uma polvadeira em bailes de galpão)
Sempre faceiro, medonho e pachola
Não vai embora sem umas tocar
Pelos farranchos arruma cambicho
E faz bonito pra indiada dançar
De chão batido à luz de candeeiro
Faz o fandango ficar abagualado
Puxando fole ficou falado
Com aquela gaita do fole furado
Quem não conhece o Rio Grande do Sul
Está convidado a se chegar neste rincão
Venha deslumbrar-se dos encantos deste estado
E cultivar a mais pura tradição
Andar cedinho nas campinas orvalhadas
Ouvir melodias nos acordes do violão
Sorver um mate cevado de amizade
Entre os valores que nascem do coração
(Vem ver, o Rio Grande te espera
Vem ver, que aqui se vive feliz
Vem ver, a essência dos gaúchos
Venha sem luxo pro sul deste paÃs)
Uma provÃncia, uma querência de encantos
De muitos fascÃnios e belezas naturais
A bela serra dos seus vales e montanhas
De sua paisagem bordada por parreiras
Linda campanha dos campos e coxilhas
Missões de um canto que florescem os ervais
O alto Uruguai demarcando a fronteira
Lagoa dos Patos esverdeada por juncais
